A   Espiritualidade   Paulina

Viver e comunicar Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida, com os meios de comunicação social, é a nossa missão, uma missão sem confins.

Padre Tiago Alberione e irmã Tecla Merlo deram grande importância à espiritualidade. Eles nos ensinam que, antes de sermos profissionais da comunicação, devemos ser discípulas de Jesus. A espiritualidade paulina possui duas sólidas raízes: a Palavra de Deus e a Eucaristia. Por isso, nossa vida é marcada por momentos de oração diária, seja pessoal ou comunitária; Celebração Eucarística; meditação da Palavra de Deus etc.

Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida
Nossa espiritualidade é centralizada em Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida. Com ele, por meio da consagração, estabelecemos uma relação de amor na qual encontramos luz, força e dinamismo para a nossa vida e missão

A Bíblia, sobretudo os Evangelhos, nos apresenta Jesus Cristo, o Filho de Deus, Mestre e Salvador. Mas ao mesmo tempo nos apresenta Jesus como alguém que viveu como nós, menos no pecado. Nasceu criança, cresceu, trabalhou numa oficina de carpinteiro, viveu em família com Maria e José. E, nos seus últimos três anos de vida, andou por toda a Palestina convidando todos à conversão, porque o Reino de Deus já chegara. Foi morto numa cruz por causa do novo projeto que ele quis ensinar. E o Pai o ressuscitou pelo seu poder. A ressurreição é a assinatura de Deus no projeto de Jesus.

Comunicador perfeito, Jesus iniciou um novo diálogo de comunhão entre Deus e a humanidade. Ele revelou-nos o coração misericordioso de Deus e ensinou-nos a chamá-lo de Pai. Por isso, ele mesmo disse: "Eu sou o caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai a não ser por mim" (Jo 14,6).

Nós nos comunicamos pelas palavras, pelos gestos e com todo o nosso ser. Quando Deus se revela, ele está se comunicando conosco com gestos e palavras. Mas, especialmente, na pessoa de Jesus Cristo. Por isso, nós dizemos que Deus nos "fala" mediante seu Filho. Jesus é a Palavra de Deus dirigida a nós, ele é o comunicador perfeito. Jesus quis implantar um projeto: o Reinado de Deus entre nós. O Reino de Deus é a grande utopia cristã. É um novo modo de relacionamento e igualdade entre nós. Resume-se na oração do Pai-nosso, que Jesus mesmo nos ensinou. Se o rezamos no Pai-nosso, ele se torna realidade, viveremos todos como irmãos, lutando, unidos, para que haja pão em todas as mesas e a vida seja respeitada e promovida.

Sonhar juntos a utopia do Reino leva-nos a descobrir, na experiência de vida, aquilo que Jesus nos disse: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida" (Jo 14,6). "Quem me segue terá a luz da vida" (Jo 8,12). Começa a nova ordem: a justiça, a liberdade, o perdão e a paz. Deus presente em tudo e em todos.

Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida, centro da espiritualidade paulina
Padre Tiago Alberione, movido pelo Espírito Santo, viveu uma particular experiência do mistério de Jesus Cristo Mestre, Caminho, Verdade e Vida, e fez dessas palavras a síntese da espiritualidade paulina: "Tudo tem início em Cristo Mestre, Caminho, Verdade e Vida, e nele tudo termina".

Alberione compreendeu isso, aos pés de Jesus Eucarístico, durante quatro horas de adoração, na noite da passagem do século 19 para o século 20. Tinha então apenas 16 anos, e já se interessava pelos problemas do novo século que estava nascendo.

Ele mesmo revela o que sentiu durante aquela noite: "Uma luz particular veio da Hóstia. Compreendi melhor o convite de Jesus: 'Vinde a mim todos' (Mt 11,28). Senti-me profundamente obrigado a me preparar para fazer alguma coisa por Deus e pelos homens do novo século. Tive consciência de minha pequenez, mas ao mesmo tempo ouvi Jesus dizer: 'Eu estou convosco até o fim dos séculos' (Mt 28,20), na Eucaristia. Compreendi que só em Jesus-Hóstia se encontrariam luz, alimento, conforto e vitória sobre o mal. Penetrando com a mente o futuro, pareceu-me que no novo século pessoas generosas iriam sentir o que eu sentia" (Abundantes Divitiai Gratiae Sue,15).

A partir daquela oração, Alberione compreendeu que o novo século necessitava tanto da paz quanto do pão da Palavra de Deus. E percebeu que o Evangelho não estava nas mãos do povo. Assumiu então o empenho de descobrir novas modalidades de comunicação e anúncio para que a Palavra de Deus chegasse a todas as pessoas. Nascia, assim, a missão das Irmãs Paulinas e dos Padres Paulinos. Deveriam eles enfrentar os desafios das novas tecnologias e linguagens da comunicação, bem como as fortes mudanças culturais para comunicar a Palavra de Deus numa linguagem compreensível a todos.

Viver e comunicar Jesus como Paulo
Temos em São Paulo Apóstolo o discípulo apaixonado por Jesus, o qual padre Alberione viu como o apóstolo da universalidade, que viveu e comunicou o Evangelho às pessoas do seu tempo com todos os meios

Quando padre Alberione começou a dar vida a esse ideal, descobriu na experiência do apóstolo Paulo uma espiritualidade capaz de forjar apóstolos e apóstolas que assumam, com coragem e radicalidade evangélica, esse novo tempo de evangelização na Igreja. A essa espiritualidade ele chama espiritualidade paulina, porque ela se inspira no modo como Paulo viveu e comunicou Jesus Cristo.

Num momento de particular dificuldade na realização dessa obra, Jesus, o divino Mestre, confirmou a opção de Alberione, falando-lhe como se a voz saísse do sacrário: "Eu estou convosco. Não temais! Daqui quero iluminar. Vivam em contínua conversão".

Alberione compreendeu que a Eucaristia e a Palavra deveriam ser a fonte de toda a missão, o início e o fim de todo o trabalho apostólico: "Eu sou a vossa luz. Servir-me-ei de vós para iluminar. Dou-vos esta missão para que a desempenheis, ainda que as dificuldades sejam muitas, mas garanti-me que eu possa permanecer convosco".

A partir de então, padre Alberione entendeu que toda pessoa que Deus chama a ser apóstolo ou apóstola da comunicação de sua Palavra deve agir "em Cristo e na Igreja", inspirando-se em Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida.

Maria Mãe, Mestra e Rainha dos Apóstolos
Maria, Rainha dos Apóstolos, é para nós a primeira discípula que recebeu e deu Jesus ao mundo. Através da docilidade e abertura à vontade de Deus, ela formou e continua formando os apóstolos de todos os tempos

Muitos são os títulos atribuídos a Nossa Senhora. Padre Tiago Alberione sempre preferiu o de Maria Mãe, Mestra e Rainha dos Apóstolos. Em Maria, ele descobre a fonte do equilíbrio entre o dinamismo exigente da prática apostólica e a mística contemplativa que deve animar e impregnar essa mesma prática.

Essa devoção vem dos inícios da Igreja. Os primeiros cristãos invocavam Maria como Mãe de Deus e Rainha dos Apóstolos. Isso porque Deus a escolheu por mãe de seu Filho. Era uma jovem, mulher do povo, pobre e desconhecida, mas aquela que fora preanunciada pelos profetas para ser a mãe do Messias.

Após a morte de Jesus, os apóstolos vivem momentos de incerteza e frustração. Necessitam de alguém que os anime e lhes dê forças para romper as barreiras do medo e da desilusão. Reúnem-se com Maria, numa grande sala chamada Cenáculo, e juntos rezam, aguardando a vinda do Espírito Santo, prometido por Jesus. Entre eles, Maria é presença que infunde esperança e coragem. Enquanto estão rezando, desce o Espírito Santo, e os apóstolos sentem-se revigorados, recebendo a plenitude dos dons.

A partir desse momento, os apóstolos tornam-se capazes de comunicar e testemunhar a todos “aquilo que viram e ouviram”, particularmente a boa-nova de que Jesus está vivo porque o Pai o ressuscitou com seu poder. Maria está na raiz da Igreja nascente, por isso é a Rainha dos Apóstolos e a mãe da Igreja.

Padre Alberione inseriu a devoção à Maria, Mãe, Mestra e Rainha dos Apóstolos na espiritualidade paulina. Em Maria, as Filhas de São Paulo, chamadas a viver e a comunicar Jesus, o Divino Mestre, encontram um protótipo de mulher e uma apóstola da comunicação.